Lipomas espinais intradurais
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Espécime.     Masc.  11 a. 6 m.  O fragmento de cor amarelada flutuava no líquido fixador. Na foto embaixo e à esquerda, ainda no líquido, visto de cima. Embaixo à direita, em superfície seca. O aspecto do fragmento é característico de tecido adiposo maduro, o que se confirmou no corte histológico. Ver ressonância magnetica
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Destaques  da  microscopia. 
HE.  Lipoma - tecido adiposo maduro  Pequena raíz em meio ao lipoma Axônio mielínico 'em espinha de peixe'. 
Masson.  Axônios e mielina em vermelho, colágeno do endonêurio em azul NF.   Positivo em axônios de vários calibres  S-100.  Positividade nas baínhas  de  mielina 
S-100. Positivo nos adipócitos do lipoma, negativo em vasos CD56. Positivo nos  axônios da raíz CD57. Positivo nas baínhas  de  mielina 
Quadro  comparativo;   Texto lipomas.
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Histologia - HE.   Fragmentos são constituídos por tecido adiposo sem particularidades, atravessado por finas traves de tecido conjuntivo frouxo e escassamente vascularizado. 
Raíz nervosa.    Esta pequena raíz em meio ao lipoma contém axônios, em vários dos quais se identifica baínha de mielina, e é circundada por tecido fibroso frouxo. Não há perinêurio. Raízes só adquirem esta camada quando saem do espaço subaracnóideo, passando então a chamar-se nervos. O perinêurio constitui um prolongamento da aracnóide, com feições histológicas e imunohistoquímicas semelhantes às desta, entre elas a positividade para antígeno epitelial de membrana (EMA). Clique para exemplos (1)(2).  Para mais sobre raízes normais, clique (1)(2)(3).
Axônios mielínicos.   Esta pequena raiz chama a atenção pelos axônios mielínicos. A mielina, em cortes de parafina longitudinais, apresenta aspecto frouxo com fendas claras, as quais não raro tomam arranjo periódico lembrando 'espinha de peixe'.  As fendas são artefatos decorrentes do esgarçamento das incisuras de Schmidt-Lantermann durante o tratamento do tecido em álcool e xilol (solventes orgânicos) para inclusão em parafina. Para mais sobre a ultraestrutura do nervo, em especial das incisuras de Schmidt-Lantermann, clique.  Ver também nervo normal da conjuntiva ocular (microscopia eletrônica).

 
COLORAÇÕES  ESPECIAIS
Tricrômico de Masson. 

Esta coloração para tecido conjuntivo (para procedimento técnico, clique) distingue fibras colágenas (em azul) de outros elementos teciduais (em vermelho). Núcleos coram-se em roxo. 

Na raíz, observa-se o envoltório de tecido fibroso frouxo em azul. Tanto os axônios como as baínhas de mielina se coram em vermelho. As delicadas fibras colágenas do endonêurio aparecem em azul. 


 
IMUNOHISTOQUÍMICA
Neurofilamento (NF). 

Anticorpos contra este filamento intermediário próprio de neurônios são um dos melhores meios de demonstrar axônios em cortes de parafina. Nesta pequena raiz, observam-se axônios de diferentes diâmetros. Os maiores podem mostrar constrições periódicas, possivelmente determinadas pelos nodos de Ranvier. Poderiam também decorrer de alterações do fluxo axonal devidas à compressão pelo lipoma.  Parece haver redução da população axonal, principalmente dos axônios mais calibrosos. 

S-100. 

Proteína S-100 (para breve texto clique) é positiva em células derivadas da crista neural, como melanócitos e células de Schwann, e em várias células conjuntivas como adipócitos e condrócitos.

S-100.   Nesta raíz, marca citoplasma e núcleos das células de Schwann.  Como as baínhas de mielina são formadas por prolongamentos do citoplasma e das membranas das células de Schwann, são fortemente positivas para S-100.    Núcleos de células de outras linhagens, como fibroblastos e células endoteliais, são negativos.   S-100 marca também adipócitos do lipoma (achado esperado). Para um meningioma com metaplasia adiposa positivo para S-100, clique.     (A rigor, S-100 deve marcar também os axônios, mas isto não é facilmente demonstrável aqui. Ver em um neurofibroma plexiforme de língua). 
S-100. Lipoma.    S-100 marca também adipócitos do lipoma. Comparar com o vaso, onde células musculares lisas e endotélio são negativos. 

CD56. 

CD56 e CD57 são moléculas de membrana envolvidas em adesão intercelular de células neurais (para breves textos, clique). No presente material,  CD56 aparentemente marcou os axônios, pois os resultados assemelham-se visualmente aos com NF, acima. 

CD57. 

CD57 é encontrado em membranas de oligodendrócitos no sistema nervoso central, e em células de Schwann e baínhas de mielina em nervos periféricos e raízes (para breve texto, clique). 

Aqui, parece demonstrar mielina, pois o aspecto é visualmente semelhante ao obtido com S-100, acima. 

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Quadro  comparativo.  Imunohistoquímica em raíz nervosa.   Há paralelos entre as expressões de NF (neurofilamento) e CD56, que demonstram axônios  vs.  S-100 e CD57, que marcam baínhas de mielina.  Ver também nervos normais em um espécime de língua com neurofibromatose tipo 1. 
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Lipomas das meninges espinais. 

Massas de tecido adiposo amarelo são causa incomum de compressão da medula espinal e raízes nervosas.  Algumas são achados incidentais, mas outras são tumores verdadeiros, que requerem descompressão cirúrgica. Podem ocorrer em qualquer idade e em qualquer altura do espaço intradural, mas há preferência pelas regiões cervical e torácica alta. No canal espinal inferior, lipomas são mais freqüentemente malformativos, associados com espina bífida, meningocele, seio dérmico dorsal ou massas de tecido adiposo subcutâneo. 

Em ressonância magnética, tecido adiposo é visualizado facilmente pelo hipersinal espontâneo em T1. A comparação de imagens sem e com supressão do sinal da gordura permite assegurar a natureza lipídica da massa. 

Macroscopicamente, as massas são intensamente amarelas e aderentes à medula. Microscopicamente, o aspecto é o de tecido adiposo maduro clássico, que pode situar-se sob a pia-máter;  raízes nervosas são detectáveis no tecido adiposo.  Esta intimidade com a medula e raízes torna ressecção completa difícil, mas mesmo excisão parcial ajuda a reduzir os sintomas compressivos. 

Fonte.  Burger, PC, Scheithauer BW, Vogel FS.  Surgical Pathology of the Nervous System and its Coverings.  4th Ed. Churchill Livingstone, New York, 2002.   pp 531-3. 

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Agradecimentos. Caso do Hospital Centro Médico de Campinas, SP, enviado e gentilmente contribuído pelos Drs. Antonio Augusto Roth Vargas, Marcelo Senna Xavier de Lima, Paulo Roland Kaleff e residentes do Serviço de Neurocirurgia.  Preparações histológicas e imunohistoquímicas pelos técnicos Viviane Ubiali, Ana Claudia Sparapani Piaza, Luzia Aparecida Magalhães Ribeiro Reis, Arethusa de Souza, Luis Felipe Billis e Thainá Milena Stela de Oliveira.  Depto de Anatomia Patológica da FCM-UNICAMP, Campinas, SP. 
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Para RM deste paciente, clique  »
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Sobre  lipomas  espinais
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