Tumor  neuroectodérmico  primitivo (PNET) fronto-temporal.  4. IH para nestina, S-100, CD56 
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Nestina. 

Nestina é um filamento intermediário próprio de células imaturas ou em rápida proliferação, e é descrita em vários tumores neurais, especialmente os gliomas de alto grau e os tumores primitivos ou pouco diferenciados. Para breves textos sobre nestina, e filamentos intermediários em geral, clique. 

Aqui, vemos expressão significativa no citoplasma das células neoplásicas deste PNET, com variação de intensidade conforme a área.  Parece haver preferência pelas ilhotas de células mais fusiformes, como já notado com outros antígenos, como GFAP, VIM e S-100

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Alternância de áreas positivas e negativas.  As áreas mais positivas eram as ilhotas de células fusiformes, que, em HE, apareciam mais frouxas. Esta regionalização da marcação pelo anticorpo para nestina confirma achados anteriores com outros filamentos intermediários  (GFAP, VIM), com proteína S-100, CD56, e EMA, sugerindo que o tumor teria dois componentes celulares que caminham em direções divergentes. O aspecto lembra, mas não se superpõe inteiramente, ao dos meduloblastomas desmoplásicos. Mesmo em áreas negativas, há várias células isoladas positivas. 
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Células tumorais positivas em maior aumento.  Na maioria dos campos, as células positivas são predominantemente as fusiformes, encontradas em ilhotas mais frouxas do tumor, como já comentado em HE
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Mitoses. Foram observadas mitoses típicas e atípicas, tanto em células positivas como negativas para nestina. 
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Nestina em células endoteliais do tumor.   Na literatura é descrita marcação para nestina em células endoteliais de vasos dos tumores positivos para este filamento intermediário. A nestina é positiva em células endoteliais em proliferação, assim seria um marcador de neovascularização.  Aqui, vemos parte das células endoteliais de alguns vasos com marcação citoplasmática. 
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Imunohistoquímica para nestina em colaboração com o Dr. Fábio Rogério, 
médico contratado do Depto de Anatomia Patológica da FCM-UNICAMP. 
Preparações pela técnica Ana Cláudia Sparapani Piaza. 
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Nestina. 

Nestina é uma proteína do grupo dos filamentos intermediários do citoesqueleto, expressa em vários tipos de células imaturas, embrionárias ou em rápida multiplicação, inclusive diversos tumores. O termo nestina deriva de neural stem cell protein.  Inicialmente considerada como marcador de células neurais imaturas, hoje é reconhecida em tecidos de diversas linhagens. 

Histórico. Nestina foi descoberta em 1985 em ratos, como um antígeno reconhecido pelo anticorpo Rat-401, obtido por imunização de camundongos com proteínas da medula espinal de embriões de ratos de 15 dias. O gene foi caracterizado em 1990 e é altamente conservado em ratos, camundongos e humanos. 

Classes de filamentos intermediários.  Atualmente, há mais de 50 proteínas de filamentos intermediários descritas, divididas em 6 classes com base em semelhanças em suas seqüências de aminoácidos.  Classes 1 e 2 correspondem às queratinas ácidas e básicas (células epiteliais);  classe 3 inclui vimentina (ubiquitária, inclusive várias células de linhagem mesenquimal), desmina (músculo), GFAP (glial fibrillary acidic protein, de astrócitos e células ependimárias), periferina (alguns neurônios); classe 4 neurofilamentos e internexinas; classe 5 laminas nucleares (forram internamente a membrana nuclear). A nestina é incluída na classe 6.  A importância prática dos filamentos intermediários é colaborar na identificação diferencial de linhagens de tumores por imunohistoquímica. Para texto sobre filamentos intermediários em geral, clique.

Bioquímica.  A nestina tem mais de 1600 aminoácidos e peso molecular de 198 kD.  Tem uma região N-terminal muito curta, o que a impede de formar homodímeros. Só pode formar heterodímeros com outros filamentos intermediários, como a vimentina e a alfa-internexina. O longo segmento C-terminal participa na interação dos filamentos intermediários com microfilamentos e microtúbulos.  Sugere-se que a nestina ajuda a estabilizar a estrutura celular e coordenar alterações na dinâmica intracelular, necessária em células em ativa divisão e migração. 

Nestina em células neurais.  A maioria dos autores considera a nestina como um marcador de células neurais tronco ou progenitoras. As evidências neste sentido são as seguintes: 

1) Nestina é observada em células no tecido nervoso do período embrionário. O número de células em divisão no cérebro dos mamíferos diminui muito logo após o nascimento. A proliferação continua apenas em duas regiões, que são a zona subventricular dos ventrículos laterais, e o giro denteado do hipocampo. Estas são chamadas zonas germinativas do cérebro, pois nelas acredita-se que a neurogênese continue após o nascimento, e atividade mitótica é notada ainda em indivíduos adultos. 

2) Nestina é expressada igualmente em células neuronais e gliais e em seus precursores comuns. 

3) Várias formas de lesão ao cérebro e medula espinal são seguidas por aparecimento de células imunopositivas para nestina. Sugere-se que isto envolve substituição de células mortas por novas, que contêm nestina. 

4) Vários tumores do sistema nervoso expressam nestina, entre eles neurocitomas, neuroblastomas, gliomas, inclusive o glioblastoma multiforme, astrocitomas, ependimomas, meduloblastomas e schwannomas. Estes tumores mostrariam a mesma expressão gênica que células indiferenciadas. 

Contudo, a nestina pode ser expressa em células diferenciadas, particularmente astrócitos, em áreas lesadas ou de gliose reacional.

Nestina no sistema nervoso embrionário.  Em embriões de ratos e camundongos, nestina é expressa em várias zonas proliferativas do sistema nervoso central, como as partes rostral e caudal do tubo neural, medula espinal, tronco cerebral e cerebelo, até alguns dias após o nascimento.  Na fase embrionária precoce, nestina está presente em células da glia radial, células da zona ventricular, em precursores comuns de neurônios e glia. Após a transição da fase proliferativa para o estado pós-mitótico, há um rápido decréscimo da quantidade de m-RNA da nestina. À medida que decresce a síntese da nestina, os filamentos intermediários definitivos, GFAP e neurofilamento, começam a ser expressos respectivamente nos astrócitos e neurônios em diferenciação. No cérebro adulto, nestina não é geralmente detectada, exceto nas áreas germinativas descritas acima. 

Nestina no sistema nervoso em reparo ou regeneração.  Após lesão ao SNC, ocorre a chamada neurogênese reativa, que corresponde à formação de novos neurônios e elementos gliais para substituir os que foram perdidos. Assim, a expressão de nestina é vista após vários estados patológicos, incluindo isquemia, trauma, inflamação, epilepsia, etc.  Células imunopositivas para nestina podem ser detectadas 6 horas após isquemia cerebral transitória focal com reperfusão. O nível máximo de expressão ocorre aos 7 dias e continua por 4 semanas. Na fase precoce pós isquemia, nestina pode ser detectada em astrócitos, oligodendrócitos e neurônios. Após isquemia total, a positividade é observada em células endoteliais de capilares cerebrais, células ependimárias e astrócitos reativos. 

Nestina em outros tecidos.  A nestina tem sido demonstrada em muitos tecidos fora do encéfalo e medula espinal, incluindo retina, músculos esquelético e cardíaco, pele e anexos (células da bainha do folículo piloso), dentes (odontoblastos), fígado, pâncreas, rins (células progenitoras), testículos (células de Sertoli e intersticiais), adrenais, sangue do cordão umbilical e outros. 

Portanto, a nestina não é limitada ao sistema nervoso e não pode ser interpretada como marcador exclusivo de células de origem neuroepitelial. Nestina pode ocorrer em tecidos sadios e em eventos patológicos. Nestina em células de adultos indicaria estado indiferenciado, plasticidade, aumento da mobilidade, ou condições patológicas. 

Nestina em tumores sólidos e em linhagens celulares deles derivadas (Krupkova et al). 
Algumas células cancerosas têm feições semelhantes às de células que ocorrem em mamíferos durante a embriogênese, entre elas, a expressão de filamentos intermediários. Nestina foi detectada em vários tipos de tumores neurogênicos e de outras origens. É o filamento intermediário típico de precursores neuronais e miogênicos, expressa em células tumorais e em células endoteliais de vários tipos de tumores neuroepiteliais, especialmente nos originados de células precursoras indiferenciadas. 

Tumores do SNC.  Em tumores astrocitários, nestina foi demonstrada no citoplasma e correlaciona-se com o grau de malignidade e invasividade da neoplasia.  Em astrocitomas fibrilares, pilocíticos e astrocitoma subependimário de células gigantes (graus I ou II da OMS) a expressão é fraca. É forte em gliomas de alto grau (III ou IV), como astrocitomas e oligodendrogliomas anaplásicos e glioblastomas. Foi também confirmada em tumores originados em precursores indiferenciados em vários locais do sistema nervoso central, como meduloblastomas, neuroblastomas, retinoblastomas e tumores neuroectodérmicos primitivos ou PNETs. 

Tumores fora do SNC.  Fora do sistema nervoso central, nestina citoplasmática foi demonstrada em nevos melanocíticos benignos e em melanomas malignos, sendo que sua expressão correlaciona-se com o fenótipo maligno destes.  Foi detectada em tumores estromais do trato gastro-intestinal (GISTs) e schwannomas, mas leiomiomas foram negativos. Foi positiva em sarcomas, tanto ósseos como de tecidos moles, tumores germinativos (germinoma, coriocarcinoma, carcinoma embrionário e tumor do saco vitelínico, mas não em teratomas maduros) e adenocarcinomas pancreáticos e mamários. Expressão de nestina tem sido associada com tumores mais invasivos e de pior prognóstico. 

Em vasos, nestina foi detectada só em células endoteliais em proliferação, e por isso pode ser um valioso marcador de neovascularização em condições fisiológicas e patológicas.  É expressa em células endoteliais de tumores neuroectodérmicos em geral, tumores epiteliais e tumores germinativos. 

Fontes. 

  • Gilyarov AV. Nestin in central nervous system cells. Neurosci Behav Physiol 38: 165-9, 2008.
  • Krupkova O Jr, Loja T, Zambo I, Veselska R. Nestin expression in human tumors and tumor cell lines. Neoplasma 57: 291-8, 2010.
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S-100. 

A  mesma marcação diferenciada já demonstrada acima com GFAP,  VIM e nestina é também nítida com proteína S-100. Nesta, a positividade é nuclear e citoplasmática. 

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S-100. As áreas mais positivas são as ilhotas de células fusiformes e textura mais frouxa, já notadas em HE. Com Masson e reticulina, estas áreas eram mais ricas em fibras intersticiais (respectivamente colágenas e reticulínicas). Estas também expressaram mais GFAP e vimentina. Uma vez mais, essa arquitetura lembra (mas não repete fielmente) a dos meduloblastomas desmoplásicos, em que há diferenciação celular mais pronunciada no centro das ilhotas. Contudo, naqueles, a reticulina é mais abundante entre as ilhotas, não no centro das mesmas. 
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S-100. Positividade nuclear E citoplasmática. As células marcadas para S-100 o são sempre no núcleo e citoplasma. Não se observa positividade nuclear e negatividade citoplasmática ou vice-versa. 
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CD56. 

Ou NCAM, ou molécula de adesão de células neurais (neural cell adhesion molecule), é um marcador neuronal / neuroendócrino. Aqui marca parte das células tumorais, também com notável regionalização, como visto nos antígenos acima.  A diferença é que as ilhotas de células fusiformes e de textura frouxa são negativas, enquanto as células arredondadas em arranjo mais compacto são as positivas (padrão inverso ao dos marcadores anteriores). 

Para breve texto sobre CD56, clique

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Para página de resumo deste caso, comentário e textos: PNETs supratentoriais, fibras elásticas, nestina
Mais imagens deste caso >> TC, RM Macro, HE Colorações especiais
IH : GFAP, VIM IH : SNF, cromogranina, NF, EMA IH : AE1AE3,  1A4,  CD34,  Ki-67,  p53 ME
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Textos sobre PNETs supratentoriais (1) (2) Tumor embrionário com rosetas em multicamadas Ependimoblastomas Pineoblastomas (1) (2) Características de imagem dos PNETs
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