Cordoma sacral congênito.  HE,  IH - AE1AE3, EMA, vimentina, S-100,  Ki67. 
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Masc. 10 m.   Clique para TC, RM, HE, IH -  AE1AE3, EMA, vimentina, S-100, Ki67. Texto : cordomas na idade pediátrica
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Destaques  da  microscopia. 
HE.  Caráter epitelial, lobular, células fisalíforas (bolhosas)  Arranjo cordonal em meio a matriz mucóide Periferia do tumor com limites nítidos, junto a músculo esquelético
AE1AE3.  Positividade na periferia do citoplasma  (citoqueratinas) EMA. Positividade focal em citoplasma e membranas VIM.  Positividade citoplasmática difusa
S-100.  Positivo no citoplasma difusamente, mas também nos núcleos em algumas células S-100.  Positivo em raízes nervosas infiltradas ou divulsionadas pelo tumor  Ki-67. Positividade em cerca de 10% dos núcleos das células neoplásicas. 
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Células  fisalíforas.   O cordoma é caracterizado pelo seu caráter epitelial, com células claras arranjadas compactamente em lóbulos, separados por traves de tecido conjuntivo.  As células em si são classicamente  vacuoladas ou bolhosas, com o chamado aspecto fisalíforo (do grego, Physalia = bolha).  Os vacúolos contêm glicogênio, que, por ser hidrófilo, atrai água. A técnica de demonstração é o PAS, mas nem todos vacúolos aparecem preenchidos, pois parte do glicogênio, sendo hidrossolúvel,  se dissolve no líquido fixador, que é aquoso.  Não há mitoses nem necrose. 
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Caráter epitelial  cordonal.  As células caracteristicamente formam cordões de uma ou duas células de largura em meio a matriz mucóide levemente basófila secretada por elas mesmas, que se cora com Alcian blue
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Periferia  da  lesão.    O tumor é delimitado por fina cápsula fibrosa e circundado por tecidos adiposo e muscular esquelético da região sacral.
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IMUNOHISTOQUÍMICA
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AE1AE3.    Cordomas classicamente marcam para anticorpos epiteliais, como citoqueratinas (AE1AE3) e antígeno epitelial de membrana (EMA),  vimentina e proteína S-100.  Todos foram positivos neste espécime. AE1AE3 é um coquetel de anticorpos para queratina de alto de baixo peso molecular e cobre a grande maioria dos tumores epiteliais.  Aqui marcou fortemente o citoplasma, definindo os contornos celulares, células fisalíforas e o arranjo cordonal. 
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EMA.    Positividade focal, freqüentemente no centro dos lóbulos, envolve membrana e citoplasma. 
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Vimentina.   Positividade citoplasmática difusa,  núcleos negativos. Marca também células conjuntivas do tecido interlobular. 

S-100.     Positividade citoplasmática nas células neoplásicas, e também nuclear em parte delas. 
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S-100.  Positividade em raízes nervosas.    Células de Schwann são classicamente positivas para proteína S-100 no núcleo e citoplasma.  Aqui marca raízes nervosas infiltradas ou divulsionadas pelo cordoma. 
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Ki67.     Observou-se marcação de uma proporção modesta de núcleos (cerca de 10%), indicando atividade proliferativa baixa das células neoplásicas.   Em algumas células, houve marcação também do citoplasma, um fenômeno que ocorre em mitoses.  Os núcleos das células assim positivas, contudo, não mostraram divisão nuclear. 
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Cordomas na  população  pediátrica 

Cordomas tipicamente originam-se no esqueleto axial, da região do clivus à sacral, com predomínio nestas extremidades.  O pico de incidência é na idade adulta, com distribuição equilibrada entre a cabeça e a região sacral, e sem associação com uma síndrome de predisposição tumoral.  Em crianças, 60% dos casos são intracranianos e associados a perturbações da brachyury, um fator de transcrição crucial na formação da notocorda. 

Cordomas são raros, com taxa de incidência de 0,08 por 100,000, sendo <5% diagnosticados na população pediátrica. A incidência total de cordomas em crianças foi relatada como < 1 em 10,000,000.  Quando afeta crianças muito jovens, especialmente em neonatos com menos de 3 meses de idade, deve-se considerar a possibilidade de associação com esclerose tuberosa.  A associação é tanto mais forte quanto mais jovens os pacientes, e a incidência na região sacral é maior que na base do crânio. Dahl et al. levantaram na literatura  5 casos de cordoma de sacro em neonatos até 5 dias até 2017, sendo em um caso diagnóstico pré-natal. 

Estudos comparando 10 cordomas associados a esclerose tuberosa na literatura e 65 cordomas pediátricos na população americana mostraram diferenças significativas.  A idade mediana ao diagnóstico foi menor nos associados com ET (6,2 meses) vs 12,5 anos em esporádicos;  a região sacral foi mais afetada na ET que nos esporádicos (40 % vs 9,4%), e a sobrevida foi melhor nos associados a ET (3/4 dos paciente livres de sintomas aos 2. 8. e 19 anos), enquanto que nas formas esporádicas a sobrevida mediana foi de 36 meses.   Cordomas associados a ET tendem a ocorrer antes de 5 anos (9/11 casos e 5 pacientes < 1 ano), ser mais freqüentes na região sacral e com sobrevida mais favorável. 

Referências. 

  • Dahl NA et al.  Chordoma occurs in young children with tuberous sclerosis.  J Neuropathol Exp Neurol   76: 418423,   2017. 
  • Boronat S. Barber I.  Less common manifestations in TSC.   Am J Med Genet. 178C: 348354. 2018.
  • McMaster ML et al.  Clinical features distinguish childhood chordoma associated with tuberous sclerosis complex (TSC) from chordoma in the general paediatric population. J Med Genet. 48:444-9,  2011.
  • Nibu Y et al.  Review Article.  From Notochord Formation to Hereditary Chordoma: The Many Roles of Brachyury.  Hindawi Publishing Corporation.  BioMed Research International.  Volume 2013, Article ID 826435, 14 pages. 

  • http://dx.doi.org/10.1155/2013/826435
  • The Chordoma Foundation.  https://www.chordomafoundation.org/targets/brachyury/
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Agradecimentos.    Caso do Centro Infantil Boldrini, Campinas, SP.   Preparações histopatológicas e imunohistoquímicas pelos técnicos do Laboratório de Patologia daquele hospital  - Srs. Aparecido Paulo de Moraes e Irineu Mantovanelli Neto. 
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Para mais imagens deste caso e texto:  cordomas na idade pediátrica RM TC HE IH - GFAP, NF,  CD34,  Ki67
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Mais sobre cordoma :  Neuroimagem Neuropatologia Texto complementar Texto - cordomas na idade pediátrica Banco de imagens
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