Degeneração hialina de Mallory em hepatocarcinoma
Lâmina A 293-B
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Este fragmento de fígado cirrótico contendo um nódulo de hepatocarcinoma  demonstra corpúsculos de Mallory nas células do tumor. Nos hepatócitos não neoplásicos, estes não são encontrados. Para corpúsculos de Mallory na esteatohepatite alcoólica, clique.  Para breve texto sobre alterações hepáticas no alcoolismo e corpúsculos de Mallory, clique.  Este scan com 600 dpi (dots per inch). Abaixo com 1200 dpi. 
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Cirrose hepática.    Esta parte do fragmento mostra as alterações clássicas da cirrose hepática, com pseudolóbulos separados por traves de tecido fibroso denso. Para outros exemplos, clique.  Os hepatócitos nos pseudolóbulos têm morfologia virtualmente normal, sem esteatose e sem corpos de Mallory. Estão arranjados em trabéculas, como hepatócitos normais. A diferença é que no fígado normal as trabéculas têm organização radiada, com o trajeto do sangue ocorrendo da periferia para o centro do lóbulo.  Nos pseudolóbulos esta arquitetura se perdeu, as trabéculas são desorganizadas e os hepatócitos regeneram-se segundo padrão anárquico. 
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Cirrose.     Os hepatócitos fora da área do tumor podem ter aspecto granuloso do citoplasma, que é inespecífico. Geralmente se deve à entrada de água no citoplasma por anóxia. Esta leva à parada de funcionamento das bombas de membrana, que dependem de ATP.  Quando intensa, como no estado de choque, esta deficiência pode levar à chamada alteração vacuolar, que pode ser reversível com o restabelecimento da oxigenação.  Para exemplo em outro caso, clique.  Alguns hepatócitos podem conter grânulos de pigmento (bilirrubina ou hemossiderina) no citoplasma. 
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Interface entre o hepatocarcinoma e a cirrose.    Este detalhe em aumento fraco foi feito na região limítrofe entre o fígado cirrótico à direita e o hepatocarcinoma à esquerda. 
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Hepatocarcinoma.   O tumor maligno originado em hepatócitos mostra desorganização da arquitetura ainda mais acentuada que na cirrose. Os hepatócitos neoplásicos distribuem-se aleatoriamente, sem formar trabéculas. Traves irregulares de fibrose atravessam o tumor. Apesar de se tratar de um tumor maligno, não se observam figuras de mitose ou áreas de necrose neste espécime. Para outro exemplo de hepatocarcinoma, clique
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Alteração hialina de Mallory.    Em aumento mais forte, numerosas células do tumor apresentam no citoplasma material róseo e homogêneo (portanto, hialino), na maioria em forma de grumos densos e grosseiros que se destacam do citoplasma finamente granuloso em torno. Estes corpúsculos são acúmulos de proteínas do grupo das citoqueratinas, associadas a outras. Para detalhes, ver texto. O núcleo do hepatócito tumoral freqüentemente é visível, mas pode estar fora do plano de corte. 
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Alterações hepáticas causadas pelo álcool etílico. 

Esteatose hepática.  Após ingesta mesmo que moderada de álcool, gotículas lipídicas acumulam-se nos hepatócitos (esteatose microgoticular). Se a ingesta se torna crônica, o lípide agrega-se em glóbulos maiores (esteatose macrogoticular), que deslocam o núcleo para a periferia. A alteração é inicialmente centrolobular, depois progride para o lóbulo inteiro. Macroscopicamente, um fígado com esteatose pode chegar a 4-6 kg, com aspecto amarelado e amolecido. A esteatose é totalmente reversível se a ingesta de álcool for suspensa. 

Hepatite alcoólica.  Esta se caracteriza pelas seguintes feições : 

a) Tumefação e necrose dos hepatócitos.  Focos de células sofrem aumento de volume (balonização) e necrose. O aumento de volume se deve ao acúmulo de gordura, água e proteínas que são normalmente exportadas. Pode ainda haver colestase (retenção de pigmento biliar) e deposição de hemossiderina (pigmento de ferro) em hepatócitos e células de Kupffer. 

b) Corpúsculos de Mallory.   São acúmulos grumosos ou filamentosos eosinófilos no citoplasma de parte dos hepatócitos, constituídos principalmente por citoqueratinas e outras proteínas. As queratinas acumuladas são do tipo CK8-CK18 (ambas são citoqueratinas de baixo peso molecular, sendo CK8 uma citoqueratina básica e CK18 ácida). Outras proteínas incluem a proteína de choque térmico p62 e a ubiquitina.   Os corpúsculos de Mallory, incluídos como exemplo de degenerações hialinas celulares, são considerados característicos da hepatite alcoólica, mas não são patognomônicos, podendo ocorrer em outras doenças do fígado, como a cirrose biliar primária, doença de Wilson, síndromes colestáticas crônicas e tumores hepatocelulares.  Em um estudo*, 16% dos hepatocarcinomas continham corpos de Mallory (Frank Burr Mallory, patologista em Boston, 1862-1941). 

c) Reação neutrofílica. Neutrófilos permeiam os lóbulos e se acumulam em torno de hepatócitos degenerados, particularmente os que contêm corpúsculos de Mallory. Linfócitos e macrófagos entram pelos espaços portais e penetram nos lóbulos. 

d)  Fibrose. Hepatite alcoólica quase sempre se acompanha de ativação dos fibroblastos dos espaços portais levando à fibrose, que evolui gradualmente para cirrose. 

Principal fonte :  Crawford JM. Liver and Biliary Tract.   in Robbins and Cotran Pathologic Basis of Disease. 7th Ed.  Kumar V, Abbas AK, Fausto N, editors.  Elsevier Saunders, Philadelphia, 2005.  pp. 904-6. 

Literatura sobre corpos de Mallory, em especial em hepatocarcinomas (PubMed): 

  • Shibahara J et al. Hepatocellular carcinoma with steatohepatitic features: a clinicopathological study of Japanese patients. Histopathology. 2014 Jun;64(7):951-62.
  • Strnad P et al. Keratins: markers and modulators of liver disease. Curr Opin Gastroenterol. 2012 May;28(3):209-16.
  • Mahajan V et al.  Cross b-sheet conformation of keratin 8 is a specific feature of Mallory-Denk bodies compared with other hepatocyte inclusions. Gastroenterology. 2011 Sep;141(3):1080-1090.
  • Basaranoglu M et al. Mallory-Denk Bodies in chronic hepatitis. World J Gastroenterol. 2011 May 7;17(17):2172-7.
  • * Denk H et al. Are the Mallory bodies and intracellular hyaline bodies in neoplastic and non-neoplastic hepatocytes related? J Pathol. 2006 Apr;208(5):653-61.
  • Pei RJ et al. Immunohistochemical profiles of Mallory body by a panel of anti-cytokeratin antibodies. Med Electron Microsc. 2004 Jun;37(2):114-8.
  • Riley NE et al. Heat shock proteins are present in Mallory bodies (cytokeratin aggresomes) in human liver biopsy specimens. Exp Mol Pathol. 2003 Apr;74(2):168-72.
  • Dominguez-Malagón H, Gaytan-Graham S. Hepatocellular carcinoma: an update. Ultrastruct Pathol. 2001 Nov-Dec;25(6):497-516.
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Agradecimento.    Preparações histológicas pelo técnico Guaracy da Silva Ribeiro. 
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