Meningioma secretor de ângulo ponto-cerebelar simulando schwannoma do VIII na ressonância magnética. 
2. Imunohistoquímica
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Masc. 51 a.   Clique para RM, HE, colorações especiais

As células meningoteliais são versáteis e podem exibir diferenciação divergente. A imunohistoquímica neste caso destaca a positividade para antígenos epiteliais nas células secretoras deste meningioma, e negatividade nas demais.  O caráter epitelial é especialmente bem demonstrado em microscopia eletrônica, onde desmossomos e canalículos secretores são facilmente visualizados [ver em outros casos (1) (2) (3)].  Aqui, as células secretoras e/ou os corpos pseudopsamomatosos mostram positividade para as citoqueratinas AE1AE3 (pancitoqueratina) e CK7; para EMA (antígeno epitelial de membrana) e CEA (antígeno cárcino-embriônico).  É de interesse que as outras células do tumor (não secretoras) são positivas para vimentina, mas as secretoras são negativas, confirmando o caráter epitelial (epitélios geralmente são negativos para vimentina).  Ki-67 foi baixo (3%), indicando pouco potencial proliferativo e crescimento provavelmente lento do tumor. 

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EMA (antígeno epitelial de membrana). 

Positividade nos corpúsculos pseudopsamomatosos e variável nas células que os secretam.  A marcação é mais forte nas margens dos canalículos secretores. 

Para breve texto sobre este marcador, clique. 

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EMA. Positividade nas margens dos canalículos secretores.  Em locais onde os corpúsculos não são encontrados, a parede dos canalínulos marca-se forte para EMA.  Em microscopia eletrônica, observam-se numerosos microvilos nesta superfície, o que deve reforçar a positividade. Fenômeno análogo ocorre nas rosetas de Flexner e canais ependimários dos ependimomas. 
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CEA (antígeno cárcino-embriônico). 

Positivo nos corpúsculos pseudopsamomatosos e negativo nas células que os secretam. 

Para breve texto sobre este marcador, clique. 

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CEA    (antígeno cárcino-embriônico). 

CEA consiste em uma família heterogênea de glicoproteínas oncofetais (PM aprox. 180 - 200 kD) que são secretadas no glicocálice de células gastrointestinais. Cerca de 50% da proteína é carboidrato e tem vários epítopos, reconhecidos por vários anticorpos. Foi primeiramente descrito em 1965, como antígeno específico para adenocarcinoma do cólon. Como a glicoproteína é complexa, anticorpos contra CEA, especialmente policlonais, podem reagir de forma cruzada com antígenos não específicos encontrados no cólon normal e em granulócitos (polimorfonucleares neutrófilos e macrófagos) e com a glicoproteína biliar I. 

CEA é demonstrado em vários adenocarcinomas, como pulmão, cólon, estômago, mama, pâncreas, vias biliares, bexiga, endocérvice, seios paranasais e glândulas sudoríparas (cerca de 70% dos adenocarcinomas de vários órgãos). 

  • Adenocarcinomas do pulmão são tipicamente CK7+, CK20 – e CEA +. 
  • Adenocarcinomas colorretais são tipicamente CK7 – , CK20 + e CEA +. 
  • Carcinomas ductais e lobulares da mama são CK7+, CK20 – e freqüentemente CEA +. 
  • Carcinomas do ovário são CK7+, CK20 +/– e CEA –. 


Carcinomas geralmente negativos para CEA incluem próstata, rim, adrenal e endométrio, tumores serosos do ovário e mesoteliomas. 

O melhor controle positivo para CEA é adenocarcinoma do cólon. 

Fontes: 

  • Leong AS-Y, Cooper K, Leong FJW-M.  Manual of Diagnostic Antibodies for Immunohistology. Greenwich Medical Media Ltd, London, 1999. p. 37-8. 
  • Dabbs DJ.  Immunohistology of metastatic carcinoma of unknown primary.  Chapter 7 in Dabbs DJ (ed). Diagnostic Immunohistochemistry. 2nd Ed. Churchill, Livingstone – Elsevier, 2006, p. 195-6.
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AE1AE3. 

Este coquetel de anticorpos para queratinas de pesos moleculares altos e baixos marca fortemente  o citoplasma das células secretoras e, com intensidade leve a moderada, também os corpos pseudopsamomatosos. 

Destaca, assim, estas células das outras do meningioma, revelando uma interessante dualidade nas células do tumor. Umas têm diferenciação epitelial nítida, inclusive com capacidade para secreção, enquanto que, nas outras, estas características não são expressadas. 

Para breve texto sobre citoqueratinas, clique. 

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CK7. 

Resultados semelhantes a AE1AE3.  Foi sempre positivo no citoplasma das células secretoras. A reação é variável nos corpos pseudopsamomatosos, sendo alguns negativos.

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VIM. Vimentina mostrou padrão inverso ao dos marcadores epiteliais. Foi mais forte nas células não secretoras e fraca ou ausente nas secretoras e (compreensivelmente) nos corpos pseudopsamomatosos.  Vimentina é praticamente sempre positiva em meningiomas. A negatividade nas células secretoras é curiosa, e poderia estar em concordância com a diferenciação epitelial das mesmas (células epiteliais são em geral negativas para vimentina). Já observamos resultado semelhante em outro caso de meningioma secretor.
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Ki-67.

Marcou cerca de 3% dos núcleos e evidenciou algumas mitoses. As mitoses se destacam porque o citoplasma das células em divisão também se marca.  A positividade nuclear foi observada tanto em células secretoras como nas demais. 

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Obs.  34bE12 - resultado igual ao de CK7. Negativo para 35bH11 e CK20.  Positivo em áreas para receptor de progesterona. 
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Caso do Hospital Medical de Limeira, gentilmente contribuído pelo Dr. Hoyama da Costa Pereira. Preparações imunohistoquímicas deste caso pela técnica Ana Cláudia Sparapani Piaza, Laboratório de Pesquisa, Depto de Anatomia Patológica da FCM-UNICAMP. 
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Para mais imagens deste caso: RM HE, colorações especiais IH
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Mais sobre meningiomas:  Textos  didáticos ilustrados :
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Imunohistoquímica
Microscopia eletrônica
Meningiomas grau I
Meningiomas graus II e III
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(1) (2)
angiomatoso
(1) (2) (3)
secretor
(1) (2) (3) (4)
rico em linfócitos
e plasmócitos
com metaplasia adiposa 
(1) (2) (3)
xantomatoso
(1) (2)
atípico
(1) (2) (3)
com infiltração 
cerebral (1) (2)
cordóide
(1) (2)
células claras
(1) (2)
rabdóide papilífero . com paliçadas
simulando schwannoma
com invasão óssea, hiperostose 
 (1) (2) (3) (4)
Meningiomas, microscopia eletrônica: meningotelial, transicional secretor
(1) (2) (3)
células claras 
(1) (2)
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