Cisto colóide  do  IIIº  ventrículo
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Cisto colóide  do IIIº ventrículo. 

Corte coronal por cérebro mostrando um cisto colóide ao nível dos foramens de Monro, comunicação entre os ventrículos laterais e IIIº ventrículo. Lesão arredondada, bem delimitada, com conteúdo gelatinoso firme.  Os ventrículos têm volume normal, portanto a lesão não causava hidrocefalia.  Os hematomas cerebrais foram secundários a trauma e não têm relação com o cisto colóide. 

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Cisto colóide  do IIIº ventrículo.  Espécime cirúrgico. 

Conteúdo de um cisto colóide abordado por endoscopia.  Há material mucóide de diferentes texturas e cores. O exame histológico do espécime não mostrou epitélio. Para exames de imagem deste caso, clique. 

Caso gentilmente contribuído pelo Dr. Antonio Carlos Perboni, Hospital Medical, Limeira SP.    Espécime fotografado sob lupa, em água e a seco, pelo Sr. Adilson Abílio Piaza, fotógrafo do Depto. de Anatomia Patológica, FCM-UNICAMP. 
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Para exames de imagem de outros casos de cisto colóide: 
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Cortes  histológicos.  As imagens a seguir foram obtidos por escaneamento de slides de mais de um espécime.  O epitélio que reveste internamente o cisto pode ter diferentes aspectos e tipos, entre eles:  epitélio cúbico simples, epitélio cilíndrico simples mucoso (lembrando mucosa endocervical), e epitélio cilíndrico pseudoestratificado ciliado do tipo respiratório, sem ou com células caliciformes. O epitélio apóia-se sobre tecido conjuntivo frouxo com vascularização modesta.  Nas preparações coradas por HE o material mucóide que preenche o cisto cora-se em róseo.  Com PAS + hematoxilina aparece em vermelho lilás (magenta).  Notar semelhanças com o cisto de bolsa de Rathke.
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Epitélio cúbico simples, HE
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Epitélio cúbico simples, PAS + hematoxilina. 
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Epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado, HE
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Epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado, PAS + hematoxilina. 

Cisto colóide  do IIIº ventrículo. 

Definição.  Cisto epitelial benigno, unilocular, contendo mucina, situado na porção anterior do IIIº ventrículo junto aos forâmens de Monro. 

Histogênese. É incerta. Há evidências imunohistoquímicas e ultraestruturais a favor de origem endodérmica, o que coloca os cistos colóides na mesma categoria dos cistos enterógenos e os cistos de bolsa de Rathke

Topografia.  Os cistos situam-se caracteristicamente na porção ântero-superior do IIIº ventrículo, entre as colunas do fórnix, aderidos ao teto do IIIº ventrículo e ao plexo coróide.  A localização é estratégica para impedir o fluxo liquórico, causando hidrocefalia dos ventrículos laterais, simétrica ou não. Contudo, como a lesão é de crescimento extremamente lento, ou pode ser estável, isto nem sempre ocorre. 

Clínica.  Em adultos (pico entre 20 e 40 anos), raramente em crianças. O sintoma mais comum é cefaléia crônica. Pode haver hipertensão intracraniana súbita por obstrução aguda de um dos foramens de Monro, que pode ser intermitente ou relacionada à posição da cabeça. 

Imagem.  Aparecem como massa pequena, esférica, bem delimitada, na região anterior do IIIº ventrículo. Cerca de 2/3  são espontaneamente hiperdensos em tomografias, restante isodenso. Não há calcificações.   Em ressonância, a intensidade de sinal é altamente variável tanto em T1 como em T2, refletindo a concentração de macromoléculas (proteínas) no conteúdo do cisto. Na maioria, são hiperintensos em T1, hipointensos em T2. Em T2 por vezes se observa uma área central de hipossinal. Não há captação de contraste. 

Macro.  O cisto pode medir de um a vários centímetros, revestido por membrana fina. O conteúdo do cisto é mucóide, viscoso, pardacento. 

Micro.  A cápsula é constituída por camada externa de tecido conjuntivo colágeno e revestida internamente por monocamada de células epiteliais produtoras de muco e/ou ciliadas. Pode haver pseudoestratificação.  O cisto cresce pela secreção contínua de mucina PAS-positiva pelas células do revestimento, bem como pela descamação de células, cujos restos podem continuar visíveis no material mucóide. 

Imunohistoquímica.  As células são positivas para citoqueratinas e EMA. 

Tratamento. Excisão completa por craniotomia ou via endoscópica é curativa. Não se relata malignização. 

Fontes 

  • Atlas SW, Lavi E, Fisher PG. Intraaxial brain tumors. Chapter 14 in Atlas SW (editor). Magnetic Resonance Imaging of the Brain and Spine. 3rd Ed.  Lippincott Williams & Wilkins, Philadelphia, 2002.  pp 671-2. 
  • Burger, PC, Scheithauer BW, Vogel FS.  Surgical Pathology of the Nervous System and its Coverings.  4th Ed. Churchill Livingstone, New York, 2002.   pp 342-6. 
  • Osborn AG. Diagnostic Neuroradiology. Mosby, St Louis, 1994. pp. 642-5. 
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