Paraganglioma de cauda eqüina.  2. IH.
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Destaques  da  imunohistoquímica. 
VIM.  Positividade citoplasmática difusa. Cromogranina. Positividade citoplasmática variável, forte em algumas células.  SNF.  Positividade citoplasmática variável, mais forte em algumas células.
S-100.  Positividade nuclear e citoplasmática em células sustentaculares.  S-100.  Positividade também em células de Schwann de filetes radiculares aprisionados no tumor.  Ki-67. Positividade em cerca de 1-3% dos núcleos das células neoplásicas.
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IMUNOHISTOQUÍMICA
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VIM. 

Vimentina é forte e difusamente positiva no citoplasma das células neoplásicas e as destaca dos elementos conjuntivos, especialmente do colágeno dos septos. 

Vimentina, contudo,  é inespecífica e não colabora na classificação histológica do tumor como paraganglioma.  Para isso, ver marcadores neurais abaixo.

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VIM. Relações células-vasos.    As células apresentam tendência à disposição perivascular radiada.  O endotélio vascular é vimentina positivo, o colágeno, evidentemente, não se marca. Vimentina é um filamento intermediário do citoesqueleto e, portanto, um componente do citoplasma. As fibras colágenas são extracelulares. 

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Cromogranina. 

Há marcação para esta proteína associada a grânulos de secreção, que é um marcador de diferenciação neural ou, no caso, neuroendócrina. A marcação é citoplasmática e de modo geral fraca, acentuando-se na periferia dos agrupamentos, no limite com o conjuntivo dos septos. 

Cromogranina. Há marcação forte de algumas células isoladas, correspondendo a células principais (chief cells). As células sustentaculares marcam-se para S-100 e não são visíveis aqui. 

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SNF. Positividade citoplasmática para sinaptofisina, uma proteína associada a vesículas sinápticas, é mais uma evidência da natureza neuroendócrina do tumor. A marcação ocorre em finos grânulos e varia, havendo células mais fortemente positivas. Filetes nervosos incluídos na neoplasia são negativos, como esperado, mas são bem demonstráveis pela reação para proteína S-100, abaixo. 

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S-100.  Células sustentaculares.   A reação para proteína S-100 é útil para demonstrar as células sustentaculares. Estas são células afiladas, com prolongamentos citoplasmáticos delicados, presentes na periferia dos agrupamentos de células principais, ou Zellballen. A marcação é nuclear e citoplasmática. No presente exemplo, as células sustentaculares são escassas. Para outro caso em que são mais numerosas e elaboradas, e também demonstradas por GFAP, clique.  As células principais são marcadas só fracamente, destacando-se alguns núcleos positivos. 
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S-100. Filetes nervosos.  Em vários pontos do tumor observam-se agrupamentos de axônios mielínicos, presumivelmente correspondendo a raízes aprisionadas e divulsionadas pelo crescimento neoplásico. São fortemente positivas para S-100, e facilmente notadas. 
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Ki-67. Marcação entre 1 e 3% dos núcleos, conforme a área, em estimativa visual sem contagem. Núcleos positivos não raro aparecem aos pares. Não foram observadas mitoses. 
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Paragangliomas  espinais. 

Definição. Paragangliomas são tumores neuroendócrinos, usualmente encapsulados e benignos, que se originam de células especializadas da crista neural, associadas a gânglios autonômicos segmentais ou colaterais (paragânglios). No sistema nervoso central (SNC) afetam primariamente a cauda eqüina e filo terminal.  Correspondem a grau I na classificação da OMS. 

Sinonímia.  Antigamente, paragangliomas eram classificados em cromafins ou não-cromafins com base na sua reação com ácido crômico, um componente do fixador de Zenker.  Como esta reação não reflete a atividade funcional do tumor, a classificação atual baseia-se na localização anatômica, sendo os principais o paraganglioma de corpo carotídeo (ou quemodectoma) e o paraganglioma júgulo-timpânico (tumor do glomus jugular). Pode-se acrescentar o termo funcionante ou não funcionante. 

Localização.  Paragangliomas são raros no SNC, sendo a grande maioria intradurais, localizados na região da cauda eqüina e filo terminal. Até 2003 foram listados 174 casos e até 2007 cerca de 210.  Outros níveis medulares, como o torácico, são mais raramente afetados. Paragangliomas intracranianos são geralmente extensões de tumores júgulo-timpânicos (complicação que ocorre em 36% dos casos). 

Incidência. Afetam adultos com pico entre 4ª. e 6ª. décadas, com discreto predomínio masculino. Paragangliomas espinais são considerados não familiares.

Clínica.  Na maioria dos casos há história longa de dor lombar e/ou ciática. Déficits sensitivos, paraparesia e distúrbios esfincterianos são infreqüentes. Há só 3 relatos na literatura de tumores funcionantes nesta localização. 

Imagem. Tumores podem ser parcialmente císticos, com o componente sólido hipo- ou isointenso à medula espinal em T1, hiperintenso em T2 e fortemente captante de contraste. Pode haver vasos dilatados. Ocasionalmente, radiografias simples podem mostrar erosão óssea dos corpos vertebrais por compressão crônica. 

Macroscopia.  Tumores na grande maioria são intradurais, aderidos ao filo terminal ou uma raiz. São ovais ou alongados, com forma de salsicha, bem delimitados, finamente encapsulados, avermelhados a pardacentos, com consistência macia. 

Microscopia.  A lesão assemelha-se a um paragânglio normal. É composta por células ditas principais ou tipo I (chief cells), caracteristicamente dispostas em lóbulos ou ninhos (Zellballen ou bolas celulares em alemão). Os ninhos celulares são circundados por uma camada fina e incompleta de células ditas sustentaculares (ou tipo II), com prolongamentos citoplasmáticos atenuados.  Entre os lóbulos há uma delicada rede de capilares que pode sofrer esclerose (fibrose, hialinização). 

As células principais mostram núcleos centrais redondos a ovalados, com cromatina finamente salpicada (aspecto ‘em sal e pimenta’) e nucléolos pouco evidentes. O volume do citoplasma é variável, geralmente eosinofílico e finamente granular, por vezes anfofílico e claro. 

As células sustentaculares são fusiformes e muito delgadas, freqüentemente não notadas em HE. O melhor meio de demonstrá-las é com reação imunohistoquímica para proteína S-100. 

Figuras de mitose são escassas ou ausentes. Mitoses, necrose ou pleomorfismo nuclear são têm significado prognóstico nestes tumores. 

Cerca de metade dos paragangliomas de cauda eqüina contêm neurônios maduros (células ganglionares) ou células de transição entre neurônios e as células principais. São chamados paragangliomas gangliocíticos, também ocorrem no duodeno, e são análogos a feocromocitomas com diferenciação neuronal. 

Imunohistoquímica.   As células principais são positivas para NSE (enolase neurônio-específica), sinaptofisina e cromogranina. A positividade para cromogranina guarda paralelismo com a reação de Grimelius (reação argirófila).  Pode haver marcação paranuclear para citoqueratinas.  As células sustentaculares são caracteristicamente positivas para S-100 e freqüentemente também para GFAP. As células principais também podem ser reativas para S-100. 

Microscopia eletrônica. A feição característica das células principais são os grânulos de centro denso  ou neurosecretores, com diâmetro entre 100 e 400 nm (média 140 nm). O contorno é irregular com interdigitações, mas junções intercelulares são rudimentares.  Membrana basal é encontrada na periferia dos ninhos celulares (Zellballen), na interface com o estroma conjuntivo-capilar. Células sustentaculares não têm grânulos de neurosecreção. 

Histogênese.  É discutida. Não foram identificadas células paraganglionares normais nesta localização. Admite-se origem em células paraganglionares associadas a vasos ou nervos locais. Outra possibilidade é que neuroblastos periféricos, normalmente presentes no filo terminal, sofram diferenciação paraganglionar. Há relatos de coexistência de paraganglioma com ependimoma mixopapilar. 

Prognóstico.  A grande maioria dos paragangliomas da cauda eqüina é de crescimento lento e curável com ressecção completa. Estima-se que há recidiva no longo prazo de cerca de 4% dos casos após remoção macroscopicamente completa. 

Fontes. 

Scheithauer BW, Brandner S, Soffer D.  Spinal paraganglioma.  In  WHO Classification of Tumours of the Central Nervous System. 4th Ed.  Louis DN, Ohgaki H, Wiestler OD, Cavenee WK, editors.  International Agency for Research on Cancer, Lyon, 2007.  pp 117-9. 

Burger, PC, Scheithauer BW, Vogel FS.  Surgical Pathology of the Nervous System and its Coverings.  4th Ed. Churchill Livingstone, New York, 2002.   pp 567-71. 

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Caso do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Centro Médico de Campinas, gentilmente contribuído pelos Drs. Antonio Augusto Roth Vargas, Marcelo Senna Xavier de Lima, Paulo Roland Kaleff e residentes. Campinas, SP.
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 Para mais imagens deste caso: RM Macro, HE, colorações
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Outros casos de paraganglioma : Imagem,_Patologia. Paragangliomas, textos (1) (2)
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